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Arco Norte Atrai Mais Recursos

Tradings do agronegócio investem em transporte hidroviário mais de R$ 2 bilhões para construção de 11 terminais terminais e 270 embarcações.

Responsável por 80% do transporte hidroviário no Brasil, o Arco norte – Itacoatiara (AM), Santarém (PA), Vila do Conde(PA),Itaqui (MA), Salvador (BA) e Elhéus (BA) –  está se tornando a “menina dos olhos” dos empresários do agronegócio. O interesse por ganhos logísticos do modal hidroviário tem atraído tradings de peso como Cargill, Amaggi, Hidroviárias do Brasil, entre outras. Contas feitas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) indicam que os investimentos privados previstos para os próximos quatros anos superam os R$ 2 bilhões entre a construção de 11 terminais e 270 embarcações.

No Sudeste, no entanto o potencial das hidrovias passa por um período de crise e preocupação. Nessa região, a Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária (Fenavega) se empenha entre retomar a navegação na hidrovia Tietê-Paraná, paralisada há mais de um ano por causa da estiagem e a conseqüência baixa dos rios. Uma das propostas, segundo a Fenavega, é reduzir a vazão nas hidrelétricas, aumentando a navegabilidade.

No momento, são as hidrovias das regiões Norte e Centro-Oeste que atraem mais investimentos, especialmente a agronégocio. Alem do Arco Norte, chama a atenção a Hidrovia Tocantins – Araguaia, que deverá ser toda navegável após as obras de derrocamento do Pedral de Lourenço (PA).

“A hidrovia Tocantins – Araguaia é estratégica para o escoamento da produção, principalmente de grãos, das regiões Norte e Centro – Oeste, que hoje saem pelos pontos de Santos e Paranaguá”, diz José Renato Ribas Fialho, gerente de desenvolvimento e estudos da Antaq. As obras de derrocamento, que compreendem um trecho de 43 quilômetros, permitirão que comboios de carga naveguem nos períodos em que o nível da água do Tocantins – entre os meses de Setembro e Novembro – ficam muitos baixo. “O edital está sendo revisado e as obras deverão ser começar no fim desse ano ou no início do próximo. O valor investimentos em R$ 500 milhões, com duração da obra de três que anos”, acrescenta “Os dois grandes investimentos que temos para os próximos anos são a Hidrovia Tietê – Paraná e Tocantins – Araguaia.” Estudos da Antaq mostram que a necessidade de investimentos em hidrovias é da ordem de R$ 7 bilhões. “Se isso ocorresse, em 2020 o país contraria  com 41.912 quilômetros de hidrovias, o dobro do que tem hoje”, projeta Adalberto Tokarski, diretor da agência. Os recursos do Pac III, que visam a apmliança das hidrovias, de acordo com fialho, por por enquanto são uma incógnita. “Ainda é um projeto tímido. O último PAC previu investimento em torno de R$ bilhões para o setor e grande parte, cerca de 50% desse valor foi , foi destinada às obras na Hidrovia Tietê – Paraná”, informa. “ Além da extensão da hidrovia, os investimentos incluem obras de melhoramentos como drenagem em alguns pontos, eclusa no Rio Piracicaba, sinalização, extensão de vão de ponte”, diz Fialho.

Outro estudo sobre os gargalhos logísticos no escoamento nacional de grãos, realizado pelo pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e intitulado Transporte e Desenvolvimento – Entraves Logísticos ao Escoamento de soja e Milho, concluiu que os aportes mínimos para tornar o país competitivo na área de navegação interior seriam da ordem de R$ 34 bilhões  distribuídos para 46 projetos. Segundo o levantamento “o estímulo á navegação interior é fundamental pata melhorar o escoamento da safra nacional de grãos”. Ainda segundo a CNT, 40% dos embargadores de grãos considerando a pouca profundidade dos rios um problema grave ou muito grave”.

Quando se olha para o Arco Norte, o cenário é de otimismo, considerando o volume de investimentos realizados. Em 2014, foram movimentados pelas hidrovias 27,7 milhões de toneladas de carga, de acordo com a
Antag. Isso significou alta de apenas 0,2% em comparação ao ano anterior. O ligeiro acréscimo poderia ter siso robusto não fosse a estiagem ao Sudeste, que interrompeu a navegação na Hidrovia Tietê – Paraná, desde abril de 2014, e o excesso de chuva no rio Madeira, provocando alagamentos nos terminais na região de Porto Velho, segundo Fialho. “Se essas questões climáticas não tivessem ocorrido, o crescimento teria sido entre 6% e 7%’’,  destaca. O estudo da CNT observa ainda que “os problemas climáticos distintos no Norte e Centro – Sul do Brasil agravaram as condições de navegabilidade, derrubando o transporte de soja, milho e farelo por rios no biênio 2013/2014”.

A hidrovia Tietê – Paraná,m que interliga cinco estados, segue paralisada por conta da seca, com o nível de água reduzido aproximadamente 5 metros. A paralisação soma R$ 700 milhões em prejuízos, porque a hidrovia transportava entre 6 milhões e 8 milhões de tonelada de carga por ano para indústrias e portos. Para Raimundo Holanda Cavalcante Filho, presidente da Fenavega, a causa é a falta de equilíbrio na distribuição do volume de água para os diferentes usuários. “Se liberou demais para a produção de energia em detrimento dos demais usuários, principalmente navegação e agricultura  irrigada; o resultado é esse que estamos vendo.” Segundo ele, algumas soluções para reativar o escoamento da produção na região seriam reduzir a vazão nas hidrelétricas, com atuação eficaz do Operador Nacional do Sistema Elétrico ( ONS), e estabelecer o uso múltiplo dos volumes, assegurado pela Agência Nacional de Águas (ANA). Para tentar socorrer o setor, foi criada em 27 de maio a frente Parlamentar em Defesa dos Portos, Hidrovias e da Navegação no Brasil. O objetivo da frente é que Deputados e Senadores possam atuar na intermediação das negociações sobre temas relacionados ao transporte aquaviário no país.

Grandes empresas continuam anunciando investimentos em hidroviárias . Para fortalecer suas operações no Brasil nos próximos quatro anos, a Louis Dreyfus Comodites (LDC) projeta investir no país 20% dos US$ 4 bilhões estipulados para todo o mundo. Da mesma forma, as correntes ADM e Cargill devem desembolsar parte dos recursos em logística, principalmente para a região Norte. Para o CEO da subsidiária brasileira da LCD, Roberto Bento Vidal, a empresa vai investir quase 500 milhões por ano até 2019. “O objetivo é dar ênfase as operações, com foco em ganhos de eficiência”. O fato é que a LDC Brasil começou a incrementar os investimentos para expandir o escoamento de grãos destinados à exportação pelo Norte do país.

Em parceria com outras empresas – entre as quais a também multinacional Glencore e a Amaggi Navegação, a LDC opera no Porto de Itaqui (MA), o Tegram, primeiro terminal executivo para grãos do estado. Também avança com o Projeto de Construção de um terminal de transbordo do rio Tapajós, que corta o Pará. Segundo Vidal, a obra, que deverá ser concluída entre três anos e quatro anos, exigirá a maior parte dos investimentos. Ele estima que a companhia estará transbordando cerca de 3 milhões de toneladas de grãos pelo Tapajós. Pelo Tegram, o escoamento dos Parceiros poderá chegar a 10 milhões de toneladas até 2022.

Já a Amaggi concluiu a principal etapa do seu projeto para ampliar o escoamento de grãos pelo corredor Madeira – Amazonias. Depois de injetar R$ 450 milhões nos últimos dois anos, a companhia colocou em operação um Terminal de Uso Privado (TUP) em Porto Velho (RO) e uma nova estação de transbordo de cargas em Itacoatiara (AM), álem de mais barcaças e empurradores. Com isso, a capacidade de transporte fluvial da Amaggi crescerá quase 80%, chegando a 5 milhões de toneladas por ano. Segundo Jorge Zanatta diretor da Amaggi Navegação, o modelo de Terminal escolhido pela empresa, denominado flutuante,”é inovador no Brasil, embora tenha a desvantagem de não poder armazenar. Assim, é necessária uma coordenação perfeita entre navio e barcaça, uma logística just in time”, destaca.

A Hidrovia do Brasil anunciou que irá aumentar sua atuação em logística fluvial, sobre tudo no Arco Norte. A empresa captou US$ 300 milhões com a gestora de private equity Blackstone, o IFC e o BNDESPar, além de um segundo fundo do P2 Brasil. Com issso, dobra o volume de recursos para a região Norte, permitindo leva à frente o plano de atuar no ramos de granel líquido e fertilizantes. Segundo Bruno Serapião, o diretor – presidente e CEO, dos US$ 300 milhões, 70% serão destinados ao Norte do país.

A americana ADM, uma das maiores área de agronegócio no mundo, anunciou se interesse no Arco Norte, principalmente no Pará e em Rondônia, onde há menos de dois meses começou suas atividades, como o transporte de soja pelos rios amazônicos. Valmor Schaffer, presidente da ADM para o Brasil e a América do Sul – exceto a Argentina – , que confirmou o interesse “nos rios Tapajós e Madeira” e está analisando o Tocantins. “Nossa tradição e experiência com com barcaças no Estados Unidos nos dá uma vantagem na competitividade perante a concorrência no Brasil”, afirma Schaffer. Apesar de não falar sobre o valor que será investido, ele classifica os aportes de “fortes” e emenda que “não se contrói uma barcaça pelo menos de US$ 1 milhão”, observando que a empresa necessitará de dezenas delas, além de outros equipamentos .