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Um prédio na zona norte do Rio atrai 15 mil visitantes ao ano; veja por quê

Incrustado no alto de uma encosta no bairro de São Cristóvão, zona norte do Rio de Janeiro, o principal prédio do conjunto habitacional Prefeito Mendes de Moraes impressiona já de longe. Com seus 260 metros de comprimento e 272 apartamentos distribuídos em um traçado serpenteado, o edifício, conhecido como Pedregulho, foi projetado em 1947 pelo renomado arquiteto Affonso Reidy e é considerado um ícone da arquitetura moderna brasileira e mundial.

A relevância histórica da edificação, recém-restaurada, atrai anualmente cerca de 15 mil visitantes de todas as partes do mundo ao local, em sua maioria estudantes ou profissionais de arquitetura e engenharia. Grupos de brasileiros e estrangeiros são recebidos quase diariamente pelo presidente de associação de moradores do conjunto, Hamilton Marinho, 57, uma espécie de síndico dos 1.700 moradores do Pedregulho. Morador do prédio há 52 anos, ele não esconde o orgulho.

“Moramos em um patrimônio, um prédio tombado [pelo município do Rio]. Só na semana passada, veio gente de Nova York, Berlim, Vancouver e Hannover para conhecer. Às vezes chegam grupos com 70 pessoas de uma vez. Os de fora vêm com intérpretes e eu vou mostrando. Eles ficam encantados com a arquitetura”, declara Marinho. “Uma vez veio um arquiteto japonês sozinho, que não falava nenhuma outra língua. A gente acabou tendo que se comunicar com gestos e com sorrisos.”

Hoje, a visitação ocorre de forma informal. “O meu telefone é praticamente público, um orelhão”, diz Marinho. Para oficializar o Pedregulho como um destino turístico do Rio, a Secretaria Estadual de Habitação acionou a de Turismo para desenvolver um projeto que recepcione os visitantes.

Após décadas de falta de manutenção, os prédios do conjunto –há ainda outros dois blocos menores, cada um com 28 apartamentos– sofreram com deterioração estética e estrutural. Em 2011, a Cehab (Companhia Estadual de Habitação) deu início a uma restauração que envolveu desde a troca de 580 janelas e de 38 mil peças de cerâmica (cobogós) que ornam as fachadas dos prédios até o reforço dos pilotis e a renovação da rede hidrossanitária. A intervenção custou R$ 46 milhões, investidos pela própria Cehab, e terminou no fim de abril deste ano.

Ainda haverá uma terceira fase, que incluirá a reativação de um posto de saúde e de uma lavanderia dentro da área do conjunto e a restauração do projeto paisagístico, feito por Roberto Burle Marx. “Era uma necessidade antiga nossa e foi um apelo cultural de escolas de arquitetura de todo o mundo”, diz Marinho.

Na entrada principal do conjunto, um painel exibe fotos do prédio de 2005 e deste ano. As imagens da década passada mostram paredes pichadas, a fachada deteriorada e descaracterizada e piso quebrado.

“Nós achávamos que iríamos até ficar sem o nosso imóvel, porque estava muito ruim e poderia cair. Tinha rachaduras e muitos vazamentos. Mesmo que cada morador desse algum dinheiro, não conseguiríamos fazer o que está feito. Agora está maravilhoso. Adoro morar aqui”, declara a funcionária pública aposentada Deise Neves, 64, que foi morar no prédio com os pais e três irmãos em 1962.

Conforme depoimento dos moradores é possível observar que uma das maiores reclamações antes da restauração era com relação às infiltrações e também às rachaduras. Para solucionar este problema, a empresa HEMISFERIO foi fornecedora dos produtos de impermeabilização, que foi executada pela empresa Concrejato.

O conjunto foi projetado por Reidy para abrigar funcionários públicos na época em que o Rio ainda sediava o Distrito Federal. Ao longo dos anos e com a transferência da capital para Brasília, o prédio perdeu sua função inicial. Alguns dos moradores originais se desfizeram de seus imóveis, transferindo a posse para outros ocupantes através de documentos registrados em cartório. Hoje, a luta da associação é para que cada morador tenha o título do seu apartamento.

Segundo moradores, a reforma do Pedregulho já provocou uma valorização de até 1.000% em alguns apartamentos. Nos dois primeiros andares, onde há apenas quitinetes, unidades que eram vendidas por aproximadamente R$ 8.000 em 2010 hoje estão sendo oferecidas por cerca de R$ 80 mil. Já no quarto e no sexto andares, que têm apartamentos duplex de dois, três e quatro quartos, cada imóvel é avaliado hoje entre R$ 160 mil e R$ 200 mil. Há cinco anos, os valores giravam em torno de R$ 25 mil.

“Se quando estava ruim eu não saí, agora que está bom é que eu vou ficar”, declara Deise, dona de um duplex de dois quartos. Para a psicóloga Fernanda da Silva, 31, que mora em um quitinete no Pedregulho desde que nasceu, se desfazer do apartamento também não está nos planos. “Às vezes as pessoas vêm e perguntam se eu quero vender, mas eu não pretendo fazer isso. Aqui eu já conheço todo mundo, os vizinhos fazem parte da família”, afirma.

Como não há condomínio oficializado –também não existe portaria–, a única taxa paga por quem vive no Pedregulho é a da associação de moradores, de R$ 30. O pagamento é facultativo e serve para custear o material de limpeza e pagar o único funcionário que atua no prédio, um ex-morador.