Conselheira federal pelo CAU/RJ e primeira vice-presidente do CAU/BR destaca qualificação profissional, fiscalização e cooperação entre entidades como pilares para cidades mais seguras e edificações de melhor desempenho

A valorização da arquitetura e do urbanismo passa, necessariamente, pela qualificação contínua dos profissionais, pelo fortalecimento da fiscalização do exercício profissional e pela integração entre entidades técnicas e poder público. A avaliação é da arquiteta e urbanista Leila Marques, conselheira federal pelo CAU/RJ e primeira vice-presidente do CAU/BR.
Em entrevista à AEI (Associação de Engenharia de Impermeabilização), Leila destaca que o papel do Conselho de Arquitetura e Urbanismo vai além da regulamentação da profissão. Ele envolve também a defesa da sociedade, a promoção da qualidade das edificações e a construção de políticas públicas que valorizem o exercício técnico qualificado.
“O Conselho não apenas regulamenta a profissão. Ele fiscaliza, orienta e, sobretudo, trabalha para fortalecer a arquitetura como uma atividade essencial para a sociedade. Quando defendemos o exercício profissional qualificado, estamos protegendo diretamente a população, garantindo mais segurança, melhor qualidade construtiva e cidades mais bem planejadas.”
Para ela, esse compromisso se reflete na atuação do CAU/RJ em diferentes frentes, como o combate ao exercício ilegal da profissão e a defesa de condições adequadas para o trabalho dos arquitetos e urbanistas em diferentes projetos.
Leila também chama atenção para um desafio estrutural no Brasil: a ainda limitada compreensão sobre o papel social da arquitetura.
“Existe ainda uma visão muito restrita da arquitetura, muitas vezes associada apenas a projetos de alto padrão ou a algo distante da realidade da maior parte da população. Mas a arquitetura é, antes de tudo, um instrumento de transformação social. Ela está diretamente ligada à moradia digna, à qualidade urbana e ao direito à cidade.”
Essa perspectiva se materializa nas ações de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS), que ampliam o acesso de famílias de baixa renda a acompanhamento técnico especializado. Leila cita iniciativas como o programa “Arquiteto da Família”, em Niterói, como exemplo de política pública que aproxima a arquitetura da população.
Ela reforça ainda que a realidade brasileira evidencia a urgência dessa pauta: grande parte das construções no país ainda ocorre sem acompanhamento técnico adequado.
“Nós temos uma realidade em que cerca de 85% das construções no Brasil são realizadas sem a presença de arquitetos ou engenheiros. Isso significa que muitas decisões importantes sobre segurança, conforto e desempenho das edificações são tomadas sem orientação técnica. Por isso, é fundamental ampliar a conscientização da sociedade sobre a importância de envolver profissionais habilitados em todas as etapas da obra, desde o projeto até a execução.”
Cooperação técnica, desempenho das edificações e o papel da AEI
A cooperação entre o CAU/RJ e entidades técnicas como a AEI é, segundo Leila, um elemento estratégico para o fortalecimento da arquitetura e da construção civil.
Para ela, esses espaços de diálogo e troca de conhecimento são fundamentais para aproximar profissionais, ampliar a qualificação técnica e fortalecer a cultura da prevenção.
“Quando o CAU e entidades como a AEI se aproximam, o resultado é um ganho coletivo. Nós criamos um ambiente de troca real entre arquitetos, engenheiros, empresas e especialistas, o que contribui diretamente para elevar o nível técnico das discussões e das soluções aplicadas na construção civil.”
Nesse contexto, temas como desempenho das edificações ganham ainda mais relevância, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas e da necessidade de maior durabilidade das construções.
A impermeabilização aparece como um dos pontos críticos nesse processo.
“A impermeabilização é um tema absolutamente essencial dentro da construção civil, porque ela está diretamente ligada à durabilidade das edificações e à prevenção de patologias. Em um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, esse tipo de conhecimento técnico se torna ainda mais estratégico.”
Leila reforça que iniciativas como as promovidas pela AEI ajudam a disseminar boas práticas e aproximam os profissionais de soluções técnicas mais atualizadas, fortalecendo a cultura da responsabilidade construtiva.
Compromisso com o futuro da profissão

Na entrevista, Leila também destaca avanços importantes na atuação do CAU/RJ, que vem investindo na aproximação com os profissionais por meio de encontros técnicos, debates, podcasts e ações de capacitação.
Segundo ela, essa mudança de postura transformou o Conselho em um espaço mais acessível, aberto ao diálogo e conectado com as demandas reais da categoria.
“O CAU/RJ vem passando por um processo importante de aproximação com os profissionais nos últimos anos. Hoje, o Conselho é mais presente, mais acessível e mais aberto ao diálogo. Isso é fundamental para que possamos construir políticas mais eficazes e alinhadas com a realidade da profissão.”
No campo institucional, Leila também destaca a ampliação da atuação do Conselho junto aos municípios, por meio de acordos de cooperação técnica que fortalecem a presença do arquiteto na gestão pública.
No âmbito nacional, cita ainda a atuação do CAU/BR em situações emergenciais, como as tragédias climáticas no Rio Grande do Sul, por meio do programa de Assistência Técnica de Interesse Público (ATIP), que mobilizou profissionais para apoio técnico às áreas atingidas.
Outro ponto relevante é a modernização do sistema digital do CAU, que está em transição para uma plataforma mais moderna, segura e integrada ao Gov.br, com o objetivo de melhorar o atendimento aos profissionais.
Leila também reforça que a arquitetura só cumpre plenamente sua função quando se concretiza na vida das pessoas.
“Para mim, a arquitetura só cumpre sua missão quando sai do papel e se transforma em espaço construído. É nesse momento que ela deixa de ser apenas um projeto e passa a impactar diretamente a vida das pessoas, garantindo mais qualidade, segurança e bem-estar.”
Ao final, ela destaca a importância da participação ativa dos profissionais no Conselho como forma de fortalecimento da própria categoria.
“Quanto mais próximos os profissionais estiverem do Conselho, mais forte será a nossa capacidade de transformar a arquitetura brasileira. O Conselho existe para ouvir, orientar e construir junto com os arquitetos e urbanistas um futuro mais qualificado para nossas cidades.”
Saiba mais sobre o trabalho do CAU/RJ no site oficial do Conselho.

