Programação reúne especialistas para debater projetos, execução, gestão e tendências da engenharia de impermeabilização, com cases sobre compatibilização, recuperação de estruturas, desempenho dos sistemas e novas tecnologias.

A impermeabilização exige muito mais do que a escolha de um produto. O desempenho de um sistema depende de decisões que começam na concepção do projeto, passam pela especificação dos materiais e pela execução dos serviços e continuam no acompanhamento da obra e na avaliação dos resultados.
Essa visão multidisciplinar orienta a programação do 16º SIMPER — Seminário de Impermeabilização, promovido pela Associação de Engenharia de Impermeabilização (AEI), nos dias 21 e 22 de outubro, no Senai Firjan.
O evento contará com profissionais, empresas e especialistas para compartilhar experiências, apresentar estudos de caso e discutir soluções para os desafios da impermeabilização na construção civil. A programação está organizada em quatro pilares — Projetos, Execução, Gestão e Tendências — e inclui palestras técnicas e painéis sobre consultoria, retrofit, controle de qualidade, inovação e desempenho dos sistemas em campo.
Para antecipar alguns dos conhecimentos que serão compartilhados com o público, a AEI conversou com palestrantes que integram a programação.
Os depoimentos destacam a importância da integração entre as disciplinas, da qualificação dos profissionais e da aplicação de critérios técnicos em todas as etapas de uma obra. Veja a seguir!
Projetos: compatibilização e planejamento para prevenir falhas
O pilar Projetos reúne discussões sobre planejamento, especificação dos sistemas e integração entre as diferentes disciplinas da construção. A proposta é demonstrar como decisões tomadas antes do início dos serviços influenciam a estanqueidade, a durabilidade e o desempenho das edificações, tanto em obras novas quanto em intervenções de recuperação.
A engenheira Maressa Menezes, da Impersolutions, abordará a importância da compatibilização do projeto de impermeabilização para a estanqueidade da obra. Sua apresentação mostrará como a falta de integração entre impermeabilização, estrutura, arquitetura, paisagismo e drenagem pode provocar manifestações patológicas, como vazamentos, manchas, estufamento de pinturas e danos aos revestimentos.
“Não é somente escolher um sistema, que tipo de material vai ser utilizado, mas escolher o sistema com base em todas as solicitações e interfaces da área”, explica Maressa.
A apresentação também abordará problemas relacionados à especificação inadequada dos sistemas, ao consumo ou à espessura insuficiente dos materiais e ao dimensionamento de ralos e demais elementos de drenagem.
A engenheira Jaqueline Zubelli, da Bleza Impermeabilizações, discutirá o tema “Subsolos: impermeabilização ou drenagem?”. A abordagem integra as discussões sobre os requisitos técnicos necessários à elaboração de projetos e à escolha de soluções compatíveis com as condições de cada empreendimento.
Jaqueline também participará das discussões sobre a importância da consultoria técnica nas intervenções prediais. “Minha expectativa para essa rodada de painéis é aprimorar cada vez mais a divulgação de técnicas, ou seja, parametrizações técnicas necessárias e importantes quando a gente pensa na questão de projetos”, afirma.
A programação inclui ainda a apresentação da arquiteta Camila Grainho, da GTI Projetos, sobre “A (RE)Engenharia X Paradigmas X Inovação tecnológica dos materiais de impermeabilização”, e da engenheira Bia Menezes, da Diprotec, que apresentará o case “Quando demolir não é uma opção: um case de retrofit com tecnologia em PVC”.
Outro destaque é a apresentação do engenheiro José Mário Andrello, da Petra Consultoria, sobre a impermeabilização da cobertura do hotel Meliá, em um projeto de retrofit. O trabalho aborda a importância da inspeção da estrutura, da realização de testes e da avaliação das condições existentes antes da escolha do sistema.
A solução adotada levou em consideração o desempenho esperado, a rapidez da intervenção, o conforto dos usuários e os impactos ambientais da obra.
“Foi definido o sistema de melhor custo-benefício que atendesse rapidez, conforto dos usuários do hotel, proteção ambiental, não gerando entulho e atendendo às normas ambientais”, relata Andrello.
O pilar será complementado pelo painel “A importância da consultoria técnica da engenharia nas intervenções prediais”, com a participação de Thais Miranda, Celso Camilo e Marcelo Borges, presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (ABADI).
Execução: controle técnico e atenção aos detalhes
Se o projeto estabelece as diretrizes, é durante a execução que as soluções precisam responder às condições reais da obra. O pilar Execução reúne experiências que demonstram como a preparação do substrato, a capacitação da mão de obra, o tratamento dos pontos críticos e a fiscalização dos serviços influenciam diretamente o desempenho da impermeabilização.
A engenheira Bruna Siciliano, da Siciliano Engenharia, apresentará o restauro do Edifício A Noite, no Rio de Janeiro, incluindo o registro de um bunker de asfalto da década de 1930 encontrado no subsolo da edificação. A apresentação relacionará as particularidades da intervenção às soluções de engenharia necessárias à recuperação da estrutura.
“Eu espero contribuir de forma positiva com todos os participantes e que seja um momento de troca, aprendizado e elevado nível técnico do mercado da impermeabilização”, afirma Bruna.
A recuperação de estruturas de concreto também estará em pauta. Sheila Janine, da Viapol, apresentará experiências envolvendo o Viaduto do Gasômetro e os túneis João Paulo II e 9 de Julho. A palestra abordará soluções de recuperação, reforço estrutural e proteção do concreto com foco na durabilidade das estruturas.
“Escolhi o tema da execução porque é no campo que o planejamento se transforma em resultado”, destaca Sheila.
Outro ponto central será a relação entre projeto, execução e fiscalização. A engenheira Priscila Bezerra, da Obra Seca, apresentará “Impermeabilização: decisões além do projeto”, com base em um caso real que evidencia como falhas de execução e práticas incompatíveis com normas técnicas e recomendações dos fabricantes podem comprometer o desempenho do sistema.
“Ter um bom projeto de impermeabilização é fundamental, mas não é suficiente para garantir o desempenho do sistema”, ressalta Priscila.
A apresentação reforçará a importância da capacitação das equipes, da supervisão técnica e do controle de qualidade em todas as etapas da obra. A discussão também se relaciona à revisão da ABNT NBR 9575, norma que trata da seleção e do projeto de impermeabilização.
“Quero que os participantes saiam com uma visão mais ampla sobre a responsabilidade de cada profissional e compreendam que a impermeabilização não termina no projeto: ela depende de decisões corretas, conhecimento técnico e controle de qualidade em todas as etapas para cumprir seu papel e entregar o desempenho esperado ao longo da vida útil da edificação”, completa.
A programação contempla ainda a apresentação do engenheiro Vinicius Machado, da Mapei, sobre “O desafio das piscinas: impermeabilização, eflorescência e produtividade”, e do engenheiro Murilo Matos, da FCC, sobre revestimentos elastoméricos à base de poliureia.
A execução de sistemas incorporados ao concreto será abordada pelo engenheiro e mestre Leonardo Otto Coutinho, da Alchemco. A apresentação parte da relação entre as características do concreto armado e o desempenho da impermeabilização, com exemplos de aplicação em lajes submetidas a diferentes condições.
“O sucesso da impermeabilização começa na base, e em lajes essa base é o próprio concreto armado. Quando a estrutura não está íntegra, nenhum sistema de impermeabilização dura o que deveria”, afirma Leonardo.
O especialista abordará aspectos como a relação água/cimento, a formação de poros e capilares e a aplicação de sistemas incorporados ao concreto. Entre os casos apresentados está uma laje de aproximadamente 1.450 m² no Espírito Santo, com etapas de preparação, aplicação, tratamento de juntas e pontos críticos e testes de estanqueidade. Também serão apresentados exemplos de uma laje exposta de cerca de 3.300 m² no Rio de Janeiro e de uma laje de subsolo submetida à subpressão.
A preparação da superfície e o treinamento das equipes também serão destacados pelo engenheiro Flávio Taurino, da Icobit, que apresentará a impermeabilização de uma cobertura de aproximadamente 4 mil m² do Colégio Darwin, no Espírito Santo. O case utiliza uma membrana acrílica de alto desempenho e elevada refletância solar.
Taurino relata que um dos desafios foi orientar profissionais experientes que ainda não haviam trabalhado com aquele sistema.
“Tivemos o trabalho de orientar e treinar a mão de obra que é experiente, porém nunca tinha trabalhado com o sistema de membranas”, conta.
O trabalho também abordará o tratamento de cantos, ralos, tubulações e encontros entre diferentes substratos, pontos que exigem cuidados específicos durante a execução.
O pilar será concluído com o painel “Desafios e soluções dos profissionais envolvidos na construção de uma obra de retrofit”, com a participação de Jaqueline Zubelli, Bruna Santori, José Mário Andrello e Andreia Sarmento.
Gestão: acompanhamento e integração para melhorar os resultados
O segundo dia do 16ª SIMPER começará com o pilar Gestão, que vai abordar o acompanhamento das obras, o papel dos fabricantes e a importância de processos organizados para identificar problemas e conduzir intervenções com maior controle técnico.
O engenheiro Rodrigo Russo, da Maccaferri, apresentará “Gestão técnica: o papel do fabricante na gestão de produtos para obras de alto desempenho”. A abordagem propõe discutir como os materiais técnicos devem ser compreendidos como parte de uma solução de engenharia, considerando as necessidades específicas de cada empreendimento e a integração entre os profissionais envolvidos.
A gestão de intervenções também será abordada pelo arquiteto Renato Giro, da Primer Engenharia de Impermeabilização e presidente da AEI, que apresentará “A complexidade de uma obra de retrofit”. O relato parte de uma experiência de recuperação do sistema de impermeabilização de uma piscina e de um deck em um condomínio.
O caso mostra como uma obra inicialmente considerada simples pode exigir adaptações ao longo da execução, especialmente quando surgem necessidades que não estavam previstas no escopo original. A experiência também destaca a importância de profissionais especializados no acompanhamento das diferentes etapas.
“O que o público pode esperar? Um aprendizado sobre como controlar uma obra de forma simples, talvez não tão técnica e acadêmica, mas bem prática e fácil de acompanhar o desenvolvimento da obra”, explica Renato.
O pilar será complementado pelo painel “A impermeabilização pelo olhar do usuário”, que reunirá o engenheiro Fernando Gouveia, a síndica Patrícia Komel, o engenheiro Sérgio Pougy e o arquiteto Luiz Fernando de Carvalho Pinto. A discussão ampliará a perspectiva sobre o desempenho dos sistemas ao considerar também a experiência de quem utiliza e administra as edificações.
Tendências: inovação, novos materiais e tecnologias aplicadas
O pilar Tendências do 16º SIMPER reúne conteúdos sobre ferramentas digitais, industrialização, novos sistemas construtivos e materiais que ampliam as possibilidades de aplicação da impermeabilização.
O engenheiro Fabiano Venerando, da Venerando Engenharia, apresentará a evolução do setor a partir da integração entre experiência profissional, gestão da informação e tecnologias como BIM, inteligência artificial, Lean, drones e fotogrametria.
A proposta é mostrar como esses recursos podem ajudar a antecipar problemas, aprimorar decisões técnicas e tornar os processos mais eficientes, sem deixar de valorizar o conhecimento dos profissionais.
“O primeiro passo para evoluir é estar aberto ao conhecimento e às novas possibilidades. Afinal, a tecnologia evolui, mas o diferencial continua sendo o profissional”, afirma Venerando.
A engenheira Jéssica Dantas, da Alconpat, abordará “Industrialização, novos sistemas construtivos e a impermeabilização como alavanca da transformação na construção civil”. O tema discutirá o papel da impermeabilização diante das mudanças nos processos construtivos e da incorporação de novas soluções ao mercado.
O engenheiro Eduardo Granato, da Quartzolit, apresentará “Novas tecnologias de impermeabilização”, com soluções desenvolvidas para diferentes aplicações na construção civil. Entre os exemplos estão tecnologias destinadas à impermeabilização de pontes e viadutos, sistemas de injeção de poliuretano, soluções para envelopamento de subsolos, mantas autoadesivas e poliuretanos transitáveis de alto desempenho.
A programação inclui ainda a apresentação da engenheira Tuane Souza, da Sika, sobre impermeabilização de subsolos com mantas sintéticas aderidas e sistemas pré e pós-instalados; do engenheiro Luis Américo Csernik, da BuildSpuma, sobre isolamento térmico em data centers; e de Anderson Oliveira e da engenheira Flávia Baldini, da Vedacit, sobre “A impermeabilização do futuro, hoje na Vedacit”.
O engenheiro André Dantas, da Soprema, abordará soluções de isolamento e impermeabilização para construção a seco. Já a engenheira Rafaela Vozini, da Revestech, apresentará “Impermeabilização 4.0: tecnologia, sustentabilidade, produtividade e segurança na evolução dos sistemas”.
O engenheiro Felipe Barsantes, da MC-Bauchemie, discutirá a aplicação de resinas de poliuretano no reforço e na estabilização de solos, ampliando o debate sobre o uso desses materiais em diferentes situações de engenharia.
Encerrando as discussões técnicas, o painel “O laudo de laboratório de produto é garantia de eficiência do sistema em campo?” reunirá Daniel Rios, Samuel Queiroz, Paulo Henrique Vasconcelos, José Miguel Morgado e Vicente Menta.
A discussão colocará em pauta a relação entre os resultados de ensaios laboratoriais, as características dos materiais e o desempenho efetivo dos sistemas nas condições reais de aplicação.
Conhecimento técnico e troca de experiências
Ao reunir experiências de projeto, execução, gestão e inovação, o 16º SIMPER propõe aos profissionais do mercado uma visão abrangente dos fatores que influenciam o desempenho da impermeabilização. Na visão da AEI, Os cases mostram que a escolha de um sistema precisa considerar as condições existentes, as interfaces construtivas, a preparação da base, a capacitação dos profissionais e o acompanhamento das etapas de execução.
A programação também reforça a importância da troca de experiências entre projetistas, fabricantes, executores, consultores e gestores, especialmente diante dos desafios de recuperação de estruturas existentes e da incorporação de novas tecnologias.
O evento será encerrado em 22 de outubro, seguido de uma confraternização em comemoração aos 30 anos da Associação de Engenharia de Impermeabilização. Além disso, contará com feira de expositores, espaço para networking e uma exposição sobre a história da AEI desde a sua fundação.



