Membrana DryPneu usa borracha de pneu descartado na formulação; fabricante cresceu 20% no semestre e mira R$ 1 bilhão de faturamento

Na impermeabilização de lajes, coberturas e áreas molhadas, a elasticidade da membrana ajuda a camada a acompanhar a movimentação da estrutura. Uma das formas de obter essa propriedade é incorporar borracha à formulação, e a Dryko Impermeabilizantes passou a fazer isso com borracha de pneu descartado no DryPneu. Segundo a empresa, a cada 100 metros quadrados aplicados do produto, cerca de sete pneus são reciclados.
Apresentado na Construsul, em agosto, em Porto Alegre, o DryPneu é uma membrana pronta para uso, aplicada a frio, composta por copolímeros acrílicos, poliuretano e borracha microtriturada de pneus. Depois da cura, forma uma camada contínua com proteção contra raios ultravioleta e acabamento antiderrapante, indicada para lajes, coberturas, telhados, terraços e áreas molhadas. A formulação dispensa solventes. Segundo a Dryko, a borracha contribui com a elasticidade e com a atenuação de ruído de impacto.
Para Marcelo Ming, diretor de vendas e desenvolvimento técnico da Dryko, a decisão continua sendo técnica. “A escolha de um impermeabilizante continua sendo, antes de tudo, uma escolha técnica a partir de função e desempenho”, afirma. “O que mudou é que hoje é possível cobrir totalmente a funcionalidade e entregar qualidade e, ao mesmo tempo, dar destino a um resíduo que ficaria sem uso.”
No Brasil, a Resolução Conama 416 obriga fabricantes e importadores a dar destino adequado a um pneu inservível para cada pneu novo vendido no mercado de reposição. O Ibama reconhece quatro destinos para esse material. No coprocessamento, o pneu substitui parte do combustível em fornos de cimento. Na granulação, a borracha é moída e o aço, separado. Na laminação, o pneu vira artefato de borracha. Na pirólise, é decomposto pelo calor, sem combustão.
Reaproveitar a borracha tem limites. Na fabricação do pneu, ela passa pela vulcanização, processo que liga as cadeias de polímero com enxofre e dá durabilidade ao produto. Por isso, ao contrário do plástico, não pode ser derretida e moldada de novo. No DryPneu, a ficha técnica descreve o componente reciclado como borracha de pneu microtriturada.
O produto integra uma mudança mais ampla no portfólio da fabricante. A Dryko eliminou solventes e alcatrão das formulações de sua linha, processo iniciado há cerca de cinco anos e concluído no último ano. A unidade industrial, com 110 mil metros quadrados, preserva mais de 11 mil metros quadrados de área ambiental e recebeu R$ 50 milhões em investimentos desde 2022, que ampliaram a capacidade produtiva em mais de 50%. A empresa também mantém uma meta interna de participação de novos itens no total de vendas, com prioridade para produtos com atributos sustentáveis, que podem ajudar construtoras e empreendimentos a obter selos verdes.
“O DryPneu mostra o caminho que queremos seguir cada vez mais”, diz Romeu Martinelli, CEO da Dryko, “que é resolver um problema técnico do cliente com um produto de excelência, com valor agregado para o construtor e atrelado à sustentabilidade”.
A Dryko, que faz parte do grupo de empresas associadas à Associação de Engenharia de Impermeabilização (AEI), fechou o primeiro semestre de 2026 com alta de cerca de 20% no faturamento, acima do orçamento previsto, e mira R$ 1 bilhão. A companhia reúne cerca de 450 colaboradores e mais de 400 itens no portfólio, exporta para a América do Sul, a América do Norte e a Europa e prepara, para 2026 e 2027, três lançamentos nas linhas de mantas líquidas, fitas asfálticas autoadesivas e poliuretanos.



